quinta-feira, 24 de abril de 2008

ÉGUAS - Cuidados para uma Boa Gestação

Cuidados para uma Boa Gestação
Com a égua prenha, começam os cuidados na manutenção da prenhez e da saúde da mãe e do filho.




Que os animais são diferentes dos seres humanos, todo mundo sabe. Se bem que, de vez em quando, alguns seres humanos agem feito animais. O que faz com que muitos prefiram a companhia destes últimos. Mas o caso aqui é falar na aproximação entre machos e fêmeas. Entre os cavalos Crioulos, a reprodução começa na burocracia. Antes de tudo, é necessário preparar a papelada que antecede a temporada de monta, entre os meses de agosto e março. É nessa época que as éguas ficam fotossensíveis e entram em cio, preparadas para receber o garanhão e gerir o potro. De acordo com as leis da natureza tudo deve correr bem, mas na vida real não é bem assim. Vários cuidados são necessários para que as éguas tenham uma boa gestação e onze meses depois botem no mundo um potro saudável.

A primeira diferença já aparece no tipo de monta escolhida pelo cabanheiro. Na solta, é separada uma manada de éguas a serem cobertas e estas vão para o pasto com determinado garanhão. É o modo mais apropriado, com menor índice possível de qualquer tipo de contaminação, mas deve ser escolhido um potreiro adequado, de modo que as éguas não fiquem em um espaço muito pequeno.

Todas as fêmeas escolhidas passam por um processo prévio de prevenção: uma batelada de exames e vacinas. Elas recebem imunização contra gripe, rinopneumunite, leptospirose e garrotilho – uma bactéria que debilita muito o cavalo, e vermífugos para acabar com os parasitas. Além disso, as éguas são desverminadas. O ideal é que para começar a parir as fêmeas tenham a partir de três anos, em média. Antes disso a estrutura do animal ainda está se formando e os hormônios que se modificam na gestação podem atrapalhar ou até fazer com que pare o crescimento.

Feita a cobertura, mais uma vez a burocracia entra em cena e os criadores fazem os comunicados de padreação, documentos que atestam o período que a égua foi coberta.
Com a égua prenha, começam os cuidados na manutenção da prenhez e da saúde de mãe e filho. A primeira atitude é separar as éguas que já estão prenhas das vazias para que as futuras mães não sofram nenhum acidente. Hoje em dia, as cabanhas estão bem equipadas, com veterinários atualizados, e a maioria delas conta com um equipamento de ultra-sonografia, que é utilizado a cada quinze dias para acompanhar a gestação.

A verminose é conferida a cada três meses. Alguns veterinários, no terço final da prenhez, se preocupam em vacinar o animal contra o tétano. Isso acontece principalmente em outras raças de eqüinos. No Crioulo, animal resistente por natureza, não é tão necessário.

A alimentação é outro fator muito importante nos cuidados com a égua e sua cria. Tendo um pasto adequado, abundante em nutrientes, mãe e filho têm grandes condições de apresentar um bom desenvolvimento. E isso é ainda mais importante no início do desenvolvimento, uma alimentação saudável, rica em sais minerais e com água à vontade, para que a égua não corra o risco de reabsorver o feto.

Durante a gestação alguns problemas podem acontecer. O aparecimento de parasitas é até comum de ocorrer, por isso todo e qualquer manejo desnecesssário deve ser evitado. E é importante cuidar os remédios que estão sendo administrados à fêmea. “Alguns utilizados para tratamento e prevenção de vermes contém organofosforados, componentes que podem ser altamente abortivos”, alerta o médico veterinário Marcelo Montano Coelho.

A parição em si deve ocorrer num potreiro perto de casa, deixando o criador mais tranqüilo em relação à situação do animal. Quase todos os partos – cerca de 90% - ocorrem à noite, geralmente da meia-noite até as seis da manhã, e não há uma explicação científica para isso. Na maioria das vezes não há complicações, mas pode ocorrer do potro nascer invertido “Já tive um caso de ser chamado para tentar salvar mãe e filho, encontrados longe da casa principal dois ou três dias depois do parto”, explica o veterinário Luciano Wortmann. Mas isso não é muito comum. Na maioria das vezes, o veterinário ou mesmo o tratador são meros assistentes do momento do parto.

Logo após a parição também é uma fase crítica. Ao parir, a égua perde peso e se alimenta apenas para produzir o colostro, leite que contém os anticorpos para o recém nascido. “Todas as cabanhas deveriam ter um banco de colostro”, garante o médico veterinário Alexandre Azeredo. O nutriente é produzido de três a cinco semanas depois do parto. Nesse momento podem aparecer problemas como éguas com pouco leite – no caso das mais velhas – que fazem com que os potros se desenvolvam mais fracos e seria muito importante a entrada do banco de colostro.

O potro acompanha a mãe por mais ou menos seis meses. É um período importante para o acompanhamento de mãe e filho, quando a égua se refaz nutricionalmente e o potro começa a aprender a comer grãos, se preparando para o momento da apartação, no inverno. Aí pode ser necessária uma suplementação alimentar.

E essa é uma fase que também pode ser aproveitada para a segunda cobertura da égua. É o chamado “cio do potro”, que ocorre entre o 7º e o 9º dia após o nascimento. Nesse momento a égua é novamente colocada para cobertura e o ciclo se repete.

Cuidados com a Prenhez

- Alimentação
- Vacinas
- Exames periódicos
- Afastamento da manada
- Manejo mínimo possível
- Parição perto de casa

Fonte:Revista Crioulos.

Um comentário:

LOURDES SPRENGER, Apoiadora da Causa Animal disse...

Esta divulgação tem por finalidade proporcionar conhecimentos sobre tratamento aos animais - as éguas prenhes e potros - O que se tem conhecimento que carroças são puxadas por éguas prenhes e muitas vezes por potrinhos. Já ocorreu de éguas darem a luz em plena rua de cidades brasileiras. A fiscalização deveria ser rigorosa para evitar estes crimes aos animais.
Lourdes