quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Posse responsável de animais

Pensei muito, antes de começar a escrever este artigo, sobre o que abordaria primeiro em se tratando da responsabilidade que se deve ter ao adotar um animal,


seja ele de raça, ou os chamados SRD – Sem Raça Definida.

Uma boa parte das pessoas quer um animalzinho, mas esquece que eles precisam de cuidados especiais. Precisam ser alimentados, aprender a fazer suas necessidades fisiológicas no lugar certo, ter um lugar para dormir, e receber carinho. Mais: assim como nós, eles adoecem, sentem dor, inclusive depressão e solidão. Inúmeras vezes precisarão fazer consultas, exames e tomar remédios. Lembre-se: isso toma tempo e dinheiro.

A chegada das férias é sempre motivo de muita preocupação para nós protetores de animais que nos deparamos com a inquietante situação do abandono. Via de regra, as famílias vão viajar e como não querem ou não podem levar seu animal de estimação, os abandonam a própria sorte nos parques da cidade. É mais fácil e rápido, apesar de imoral.

Eu atribuo boa parte desta responsabilidade aos nossos legisladores, incapazes de criarem leis que cobrem este compromisso, e criminalize o abandono de animais, senão pelo sofrimento causado a esses seres indefesos, pelo menos, pela questão de saúde pública que a situação envolve.

Mas, o problema vai muito além. O ser humano está se tornando incapaz de se colocar no lugar do outro. Se uma mãe é capaz de abandonar o próprio filho, se o filho é capaz de matar os pais, se irmãos são capazes de se ferir mutuamente... quem vai parar para pensar no que sente um animal abandonado?

Inclua no planejamento das suas férias, onde vai deixar ou para quem vai dar o seu cachorro, o seu gato, o seu pássaro, ou qualquer que seja o seu animal, caso não o deseje mais. O abandono pode parecer a forma mais fácil, mas lembre-se que seu animalzinho estará passando necessidades como frio, fome e solidão... e, ainda assim, vai esperar pela a sua volta. Afinal, é isso que diferencia os animais de nós seres humanos: a sua capacidade de amar e a sua lealdade incondicional, mesmo quando lhe é cometida a maior das traições.

Se a sua consciência for capaz de conviver com isso, deixe-o no parque ou pelas ruas da cidade. Caso contrário, aja como uma pessoa do bem.

Elaine Carrasco – Jornalista e protetora de animais




Um comentário:

fatima disse...

Esses seres (humanos?) que abandonam seus animais de estimação, principalmente nesta época do ano, para poderem viajar, e muitas vezes na volta de suas férias compram outro animalzinho, como se fossem simples objetos, será que podem ser chamados de humanos? Será que conseguem dormir à noite?
Por isso que sou totalmente contra o comércio de animais, pois "um amigo não se compra".